De 1977 a 1978, o coordenador do jornalismo, Adroaldo Corrêa, registra por escrito os recados passados por telefone pela Censura. As ligações eram feitas pelo próprio chefe da divisão, João Bispo da Hora, ou por algum substituto imediato. Eram alertas aos integrantes da equipe. O primeiro bilhete foi escrito no dia 1º de fevereiro de 1977.

“Tá proibida qualquer referência à entrevista do físico José Goldenberg sobre o acordo nuclear Brasil-Alemanha. Radiograma lido pelo (Roque) Maggioni, da Censura Federal, por telefone, para o Departamento de Notícias da Continental.”
“Tá proibida pela Censura Federal (Bispo da Hora) a divulgação de qualquer informação sobre movimento e protesto estudantil, tanto em São Paulo, como em outro local do Brasil. 5.5.77”

As proibições tinham grande serventia. Muitas vezes, era por intermédio de um telefonema do Departamento de Censura que a redação tomava contato com os fatos. Ou pelo menos, recebia alguma sinalização. Com a informação, a equipe ficava atenta aos fatos. Se o principal estava proibido, os acontecimentos correlatos poderiam ser explorados e, no fim das contas, revelar a história nas entrelinhas.