Alguns programas

Opinião Jovem
De segunda a sexta, das 7h às 8h. Entrou ano ar por volta de setembro de 1974, apresentado por José Fogaça e Clóvis Duarte. Segundo Fogaça, os comentários que fazia eram fortemente críticos ao regime militar. “Eu fazia comentários sobre os assuntos políticos e sociais. Numa época de censura, o programa ousava criticar o governo e denunciar práticas abusivas e antidemocráticas.”

Pediu, Rodou, ganhou

De segunda a sábado, das 10h às 12h. Substituiu o Discos de Ouro. Chegou a receber cem cartas por dia. Por ser novidade, sempre teve grande audiência. Os ouvintes pediam a música e, além de ouvi-la, recebiam uma fita cassete com a canção. No começo, em 1974, os ouvintes tinham que buscar a fita na rádio. A partir de 1976, a 1120 tratou de enviá-la pelo Correio. Apresentado por Marcus Aurélio.

Crônica de Luis Fernando Verissimo

Para dar a partida na Continental com uma programação qualificada, Fernando Westphalen pede uma ajuda ao amigo e ex-colega de MPM Luis Fernando Veríssimo. Além de dar idéias sobre como deveria ser a linguagem da rádio, Veríssimo fica encarregado de escrever uma crônica diária. A linguagem, lembra Veríssimo, era uma versão radiofônica do jornal Pato Macho, do qual ele também participava.

Horóscopo da Pesada

Judeu queria uma rádio diferente de tudo o que estava no ar. E o deboche era um dos ingredientes. Em julho de 1971, vai ao ar o Horóscopo da Pesada, que era uma gozação, evidentemente, em cima dos horóscopos e dos “horoscopistas”. Judeu convidou Eloy Terra para incorporar o Doutor Silvana – vilão das histórias em quadrinho – e redigir os textos do Horóscopo da Pesada. E Fernando Westphalen, no microfone, encarnava Hermano Kano. As previsões sempre eram as piores possíveis para todos os signos. “A conjunção da quinta lua de Saturno com o planeta Mongo te criou uma situação terrível, tu tá ferrado total. No amor, nem pensar. Dinheiro que é bom vai voar todo. Tu tá na pior cara e tu tá tão azarado que vai ter que ouvir uma música com Jerry Adriani. E pior que isso não tem!”. Aí tocava um pedacinho do Jerry Adriani, cortava e passava pra outro signo.

Fórmula 1

No começo de 1971, o país ainda vivia a euforia da conquista do tricampeonato mundial de futebol no México, em 1970. E o governo Médici aproveitava para faturar ao máximo com a vitória. Pela primeira vez, o Brasil organizaria um campeonato nacional de futebol. A Continental resolve apostar na Fórmula-1. Emerson Fittipaldi era uma promessa. Vencera o primeiro GP no final da temporada de 1970, em Watkins Glen, nos Estados Unidos. Luis Eduardo Moreira, diretor-comercial, coloca o programa Fórmula 1 no ar em 16 de outubro de 1971. A partir das 22h, de segunda a domingo, uma hora de informação e música. “Fiz o programa na fé que o Émerson seria o campeão”, diz Moreira. Em 1972, Fittipaldi é o primeiro brasileiro a conquistar o campeonato mundial. Dose dupla em 1974, já com a inclusão do GP Brasil no calendário da Fórmula 1. No fim de 1973, o programa passara para as 12h15.

Ritmo 20

Clóvis Dias Costa começou a trabalhar em rádio com 13 anos. Era operador de áudio na Rádio Princesa. Depois, seguiu para São Paulo, onde atuou na Rádio Eldorado. Ainda nos anos 60, retorna a Porto Alegre para investir na carreira de comunicador. Seguiu para a emissora que veio a ser a grande rádio jovem de Porto Alegre nos anos 60 e 70, a Continental AM. O Ritmo 20 entrou no ar no dia 18 de setembro de 1969, ainda na antiga Continental. Fugindo dos padrões musicais da época, Clóvis chegou com a proposta de inovar o som e a programação da rádio.

Previsão do tempo

A redatora Bete Portugal tornou-se mestre na “previsão” do tempo. Em vez de informações técnicas, poesia. Era anunciada a previsão do tempo, e lá vinha uma crônica sobre os mais variados assuntos. Mais um detalhe, entre tantos, que faziam da Continental uma rádio que surpreendia. Para falar de alguma prisão ou tortura citava “pancadas sobre Porto Alegre.”