Intervalo no mesmo ritmo

Na Continental, o espaço comercial era tão apreciado quanto a programação. As peças publicitárias eram produzidas para se encaixarem na linha editorial da emissora. Os comerciais, verdadeiras obras de arte, prendiam os ouvintes, que tinham prazer em ouvir os intervalos. Curtos, por sinal. Nunca mais de um minuto. Nada destoava nas 24 horas de programação. E tudo funcionava porque era diferente.

O departamento Comercial foi o primeiro termômetro a indicar que a estratégia traçada por Fernando Westphalen tinha dado certo. Em três meses, a rádio já estava se pagando. E dando lucro. É claro que Judeu, vindo do meio publicitário, tinha muitos e bons contatos. Mas ninguém anuncia para fazer caridade. Há uma espera por resultados. E a publicidade na 1120 dava retorno. Tanto que havia fila de anunciantes.

Para que a linguagem dos comerciais se alinhasse com a programação, os anúncios tinham que ser refeitos para rodar na 1120.


Luiz Coronel

Luiz Coronel foi um publicitário fundamental para o enriquecimento da programação da Continental. Fazia anúncios perfeitos para o perfil da 1120. Mas as brincadeiras mexiam com a ditadura. “Grite, manifeste sua opinião, o que derruba cerca de pedra não é o tempo, são os trovões”. Por causa de textos como este, a publicidade, antes não revisada pela censura, passou a ser vigiada de perto. E até Papai Noel foi motivo de uma discussão por correspondência de Coronel com o chefe da censura, Roque Cheddid.

O trabalho de Coronel que mais marcou na rádio foram os textos poéticos e brincalhões da hora certa dados no Scarpini Previne. Scarpini, que nas outras rádios tinha o slogan “O Joalheiro da Metrópole”, na Continental, a cada meia hora, brindava os ouvintes com frases assim:
“A essa hora as feras da fome rugem famintas
Scarpini previne, são 11 e 30.