Apresentação

Nesta terça-feira, 1º de março de 2011, faz 40 anos que surgiu uma das histórias mais bonitas e  importantes do rádio gaúcho e brasileiro. Na manhã do primeiro dia de março de 1971, uma segunda-feira, o dial de Porto Alegre foi invadido nos 1120 AM por uma turma jovem, que falava gírias, rodava rock e, suprema ousadia, cutucava a ditadura.

Os 10 anos de história da Rádio Continental foram tão intensos que até hoje, 30 anos depois de ter saído do ar, em 1980, a Superquente ainda provoca uma reação positiva nos que dela se recordam.

Foi a primeira emissora gaúcha dirigida à juventude e que não se calou frente à ditadura implantada em 1964. A Continental foi das poucas rádios brasileiras, talvez  a única, a deixar claro que não se conformava com o regime militar. E não foram episódios isolados, fortuitos. Toda a sua existência foi  de deliberada oposição ao arbítrio. Até por isto, foi diversas vezes punida e ameaçada. Também foi a Continental a primeira a impulsionar o movimento musical dos jovens gaúchos.

Tudo isso sob o comando de Fernando Wesphalen, o Judeu, líder de uma resistência radiofônica que teve em Marcus Aurélio Wesendonk, na direção de programação; e Luiz Eduardo Moreira, no departamento comercial,  seus principais aliados.  Além , é claro de dezenas de colaboradores, entre eles os redatores e os locutores do noticiário 1120 É Notícia, irônico e debochado. Textos que chamavam a atenção, ainda que com os subterfúgios necessários, para aspectos não tratados pelos demais veículos de comunicação.

Num tempo em que Porto Alegre tinha apenas três canais de televisão – Piratini, Gaúcha e Difusora -, e o rádio FM ainda não existia, a Continental foi a primeira a mídia gaúcha a tocar música pop, rock, músicos brasileiros de qualidade, como os mineiros do Clube da Esquina e o Pessoal do Ceará. Judeu dizia: “Se querem rock, vão ter. Mas vão ter que ouvir Chico Buarque, Milton Nascimento e muitos outros compositores brasileiros que as demais rádios ignoravam.” E se a censura proibia, como proibiu, a música Apesar de Você, com Chico Buarque, não havia problema. A Continental tocava a mesma música, só que na voz de Beth Carvalho.

E mais do que tocar música brasileira de qualidade, a 1120, com iniciativa e recursos próprios - e a habilidade do chefe dos operadores de áudio Francisco Anele Filho -, promoveu  uma geração de músicos gaúchos. Hermes Aquino, Os Almôndegas, Utopia, Inconsciente Coletivo, Gilberto Travi, Nélson Coelho de Castro, Fernando Ribeiro, Mantra, Simbiose, Bizarrro, Hallai-Hallai, Cláudio Vera Cruz, Toneco, Grupo Ensaio, Status 4, Élbia e tantos outros.

Tudo isto em uma emissora do Sistema Globo de Rádio, de Roberto Marinho.

O LIVRO E O SITE

Em novembro de 2007, após sete anos de pesquisa, foi lançado o livro Continental – A rádio rebelde de Roberto Marinho, de Lucio Haeser. Lançada pela Editora Insular, a obra procurou trazer o máximo que pôde sobre a história da 1120. Inclusive com um CD contendo músicas do movimento musical que ela ajudou a trazer à tona.

Ao mesmo tempo,  o site www.continental1120.com.br surgiu para divulgar o livro e trazer informações adicionais ao que foi publicado. Na página eletrônica, foi lançada também uma webrádio –a Rádio Sem Fronteiras - destinada a rodar algumas gravações originais da Continental, entremeadas a muita música, muitas delas do repertório da 1120.

Agora, Marcus Aurélio Wesendonk, vem se juntar à empreitada. Animado com as possibilidades das rádios online, assume o comando da rádio online Continental 1120.

É claro que é impossível repetir o passado. Nem teríamos esta pretensão. Os tempos são outros e as circunstâncias do surgimento desta nova Continental 1120 são diferentes. Mas para aqueles que sempre sorriem quando ouvem falar da Superquente, parece que ficou um gostinho de “quero mais”. E é com o objetivo de saciar esta vontade que estamos aqui. Fitas de rolo e cassete que resistiram décadas em gavetas ou fundos de baús voltam a rodar. Discos, documentos, fotos, lembranças. Tudo isso estará aqui reunido, além, é claro, das músicas gaúchas, brasileiras e internacionais que embalaram a juventude gaúcha de 1971 a 1980.

Este trabalho é também uma homenagem à grande figura que foi Fernando Westphalen, que nos deixou emjulho de 2009, e mostrar o valor de sua obra para o rádio brasileiro.

Esperamos que você goste e participe.