O noticiário das 8h da manhã de 25 de agosto de 1973, um sábado, é o mais lembrado da história da Rádio Continental. O que mais causou polêmica. Custou uma punição à emissora, tirada do ar por três dias, e marcou para sempre a vida do redator Oscar Flores Filho.

Documento do SNI relata episódio das latinhas

Documento do SNINascido em 10 de julho de 1950 em Santa Maria, filho de militar, Oscar muda-se ainda criança, com 4 anos, para Porto Alegre. No fim de 1972, com 22 anos, está no terceiro ano do curso de Comunicação da UFRGS quando é indicado para o emprego de redator na Continental. Ao contrário da maioria dos colegas de redação da 1120, Oscar não militava em nenhum grupo político.

Naquele 25 de agosto, ele chega à rádio às 7h e, como de costume, faz a escuta do Rádio Jornal Guaíba Sulbanco. Duas notícias chamam a atenção e Oscar resolveu aproveitá-las no 1120 é Notícia das 8h. Uma delas, era a abertura, naquela manhã, da 36ª Expointer, que teria a presença do ministro da Agricultura, José Francisco de Moura Cavalcanti. A outra, também pela manhã, a solenidade de entrega da Medalha do Pacificador, uma das mais altas honrarias concedidas pelo Exército brasileiro. A solenidade seria no Parque da Redenção.

Documento do SNI obtido junto ao Arquivo Nacional, em Brasília, reproduz as frases consideradas ofensivas ao Exército brasileiro. Também pudera, Oscar trata a entrega da mais alta horaria militar como "distribuição de latinhas".
O locutor Wladimir Oliveira, ao ler o texto antes de ir ao ar, ficou preocupado.
- Oscar, tu vais botar isso aqui no ar?
O jovem jornalista não vacilou.
- Vou.
Diante da convicção, Wladimir disse apenas um “tá bom”.

E a bomba foi colocada no ar.

A conseqüência viria dois meses depois. A rádio é tirada do ar por três dias.