A Continental vista do lado de lá

Alguns documentos do Serviço Nacional de Informações (SNI) sobre a Rádio Continental, considerados confidenciais por cerca de 30 anos, estão guardados no Arquivo Nacional, em Brasília. Os papéis são a primeira revelação sobre como a 1120 era vista pelos encarregados de vigiar pelo boa divulgação das “obras da revolução de março de 1964” nos meios de comunicação.

O documento do SNI de 29 de agosto de 1973, quatro dias após o 1120 É Notícia que tratou a Medalha do Pacificador como “latinha”, diz o seguinte (a grafia original foi mantida):

“a. Das emissoras de rádio de PORTO ALEGRE/RS, a CONTINENTAL é seguramente, a única que não tem dado apoio às obras e realizações da REVOLUÇÃO de MARÇO de 1964. Em seus noticiários procura sempre fazer citações com sentido dúbio, num vernáculo miserável, entremeado de insinuações jocosas às autoridades constituídas. Deixa transparecer uma linha de ação pré-determinada , no empenho de uma luta doentia contra tudo e todos que por qualquer motivo se engajarem com o Governo Revolucionário. Muito embora para seu expediente mórbido e excuso, utilize as franquias da radiodifusão que lhe foram concedidas pelo próprio governo do país.
Quando se refere às autoridades de países vizinhos, particularmente URUGUAI, PARAGUAI E BOLÍVIA, é manifesta a insinuação de desmoralizar autoridades e governantes. No plano local, tem feito manifestações de desrespeito a diversas entidades, através de noticiários pretensamente humorísticos.

b. LUIS FERNANDO VERISSIMO, filho do escritor ERICO VERISSIMO, ocupa cargo de PRODUTOR da Rádio CONTINENTAL. Sua linha de conduta, através dos órgãos de comunicação, é de um antagonismo à obra da Rev Mar 64, facilmente identificado. Anexo 5 Xerox (FM-30.JUL.70; FM-08.JUL.70; FM 20 e 21 MAR 73 e ZH/PA 12 AGO 73) que poderão dar uma idéia da linha ideológica do nominado, integrante do quadro de funcionários da RÁDIO CONTINENTAL de PORTO ALEGRE/RS.”