No início de 1970, Judeu é procurado pelo Sistema Globo de Rádio para descascar o abacaxi em que havia se transformado a Rádio Continental de Porto Alegre. A Globo, cansada de ver a rádio dar prejuízo, queria se desfazer da Continental. Mas não houve negócio.

Meses depois, em janeiro de 1971, a Globo faz outra investida sobre Judeu. Agora tinha nas mãos uma passagem aérea para o Rio de Janeiro. A Globo queria contratá-lo para dirigir a rádio. Ele deveria ir ao Rio para negociar com o diretor do Sistema Globo de Rádio, Armando Queiroz. Judeu não demonstrou o menor interesse e comentou desdenhosamente com Antônio Mafuz, seu patrão na MPM. “Querem me contratar. Eu não tenho interesse nenhum. Se é para continuar empregado, continuo aqui.” Ao que Mafuz respondeu: “Pô, rapaz. Aproveita e viaja ao Rio de Janeiro e passa o fim de semana lá por conta deles”. Judeu se deu conta: “Pô, é mesmo”. Lembrou que no fim de semana poderia assistir às carreiras no Hipódromo da Gávea. E foi. Da decisão de aproveitar uma viagem ao Rio de Janeiro por conta da Globo, acabaria nascendo um dos maiores fenômenos do rádio gaúcho.

Mesmo tendo viajado apenas para aproveitar a passagem, Judeu, que havia poucos meses pensara em arrendar a rádio, saberia o que fazer com ela. Na mídia de rádio na MPM, ele imaginava uma emissora voltada ao público jovem e universitário.

Como quem não quer nada, Judeu vai à reunião com Queiroz, para apresentar uma proposta que considerava muito pretensiosa e que, acreditava, seria imediatamente rejeitada. Mas surpreendentemente, todas as reivindicações são aceitas.