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João Carlos Saad, presidente da Bandeirantes e da ABRA (Associação Brasileira de Radiodifusores) , entidade dissidente da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) fez uma proposta um tanto quanto estranha. Primeiro, pede que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, tome uma decisão urgente - até a semana que vem - quanto ao rádio digital. Depois cita pontos fracos dos dois sistemas em jogo, Iboc e DRM. Por fim, propõe uma solução alternativa, que seria a migração das emissoras AM para o FM, o que nos grandes centros é impossível devido ao espectro já congestionado da frequência modulada. Saad diz que a faixa de FM será liberada (mas, como ele mesmo lembra, só a partir de 2016 com o fim das transmissões da TV analógica). Mas o único canal de TV cujo som é transmitido na atual faixa de FM faixa de FM é o 87,7 mHz, do canal 6. Diga-se de passagem que a intenção da Anatel é colocar neste canal, onde não haja canal 6 de TV, as emissoras comunitárias. E quando a TV analógica sair do ar, todas as comunitárias teriam que ir para o 87,7. Este é o plano. Mas se ele pede uma decisão do Hélio Costa para a semana que vem, porque criar todo esse imbróglio de migração dependente de outra que vai acabar só em 2016 (e que na verdade não tem efeito nenhum). Imaginem agrupar todas as emissoras AM de São Paulo no FM. Imaginem a mesma coisa no Rio, em Brasília ou em Porto Alegre. Sem falar nas características de transmissão e recepção, que são diferentes, a que os ouvintes estão habituados. Por exemplo, as muitas pessoas que à noite conseguem e gostam de sintonizar emissoras distantes em AM. Esta característica do AM não se perde com a digitalização, seja no DRM ou no Iboc. Também é de se estranhar esta necessidade de ser o Hélio Costa a definir o rádio digital. Que seja outro, se for o caso. E, com certeza, é o caso. Se os dois sistemas têm problemas, que eles sejam primeiro resolvidos. Mais uma dúvida: seguindo a sugestão dele, o próprio Saad abriria mão de um canal? Pois a Bandeirantes AM 840 já transmite a mesma programação em FM em 90,9. Segue a íntegra da carta do Saad ao Costa. "Senhor Ministro: O Brasil ocupa hoje uma posição de destaque na economia mundial e esse destaque se fortalece, entre outras, por conta da adoção bem sucedida do padrão brasileiro de TV Digital. Trata - se de iniciativa para a qual o concurso de V. Exa. foi determinante. A isso se soma que a atenção dedicada por V. Exa. ao rádio foi de enorme importância, especialmente em relação à digitalização da radiodifusão sonora, tanto em FM, quanto em AM. O momento é, portanto, de consolidar esta trilha de sucesso e firmeza na condução dos assuntos da radiodifusão, mediante a adoção de decisão histórica para o rádio do Brasil. Não há tempo para vacilar: é preciso decidir. Nesse sentido, observamos que os últimos anos foram de experimentos com as tecnologias disponíveis, para a digitalização do rádio. Os testes indicam que a tecnologia IBOC enfrenta dificuldades técnicas em cidades como São Paulo, mas é mais madura quanto à sua adoção por radiodifusores de outros países (notadamente americanos), enquanto a tecnologia DRM, incipiente quanto à sua adoção, pode ser mais robusta em termos de recepção pelo público. Ambas as opções tecnológicas são, portanto, limitadas quanto à sua adequação para as demandas do Brasil. Todavia, há a alternativa de implementar uma migração paulatina dos sinais de radiodifusão em AM para as bandas de FM que serão liberadas, de acordo com o cronograma de transição da TV Digital. Noutras palavras, é recomendável que V.Exa. aprove um cronograma durante o qual as transmissões em Ondas Médias sejam paulatinamente migradas para canais de Frequência Modulada, os quais serão, por sua vez, liberados pelas emissoras de televisão, a partir de 2016. Com a migração que propomos a V.Exa., a radiodifusão de sons passa a ter um horizonte de AÇÃO e de INVESTIMENTOS, sem depender dos interesses de tecnologias estrangeiras, num cenário em que os brasileiros de todos os rincões terão uma grande oferta de serviços de rádio, com toda sorte de programação. É por isso que a ABRA - Associação Brasileira de Radiodifusores se dirige a V.Exa.: para pleitear AÇÃO, DECISÃO, para coroar o trabalho de V.Exa. à frente do Ministério das Comunicações. Colocamo - nos à disposição de V.Exa. para articular e analisar tecnicamente a adoção desse cronograma de migração da radiodifusão em Ondas Médias, para a radiodifusão em Frequência Modulada. Com certeza de contar com o acatamento de V.Exa. subscrevemo - nos, Atenciosamente, João Carlos Saad Presidente - ABRA"
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